Select Saúde entra em Direção Técnica da ANS: o que o corretor deve fazer agora com seus clientes?

 

Medida da ANS acende sinal de atenção para corretores e beneficiários. Entenda o que significa a Direção Técnica, quais cuidados devem ser adotados.





Fala Corretores,

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) instaurou regime especial de Direção Técnica na Select Operadora de Plano de Saúde, registro ANS nº 35.805-3.

A medida consta da Resolução Operacional ANS nº 3.168, de 27 de agosto de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 1º de setembro de 2026.

Segundo o ato, a decisão considera a existência de “anormalidades administrativas e assistenciais graves” que colocam em risco a continuidade do atendimento à saúde dos beneficiários.

Para o mercado de planos de saúde, a notícia exige atenção.

Mas, principalmente para o corretor que possui clientes dentro da Select, este é um momento em que informação correta, acompanhamento e proximidade com o beneficiário passam a ser ainda mais importantes.
Primeiro: Direção Técnica não significa que a Select fechou
É importante deixar isso muito claro para o cliente.

A instauração de Direção Técnica não significa automaticamente encerramento da operadora, liquidação ou cancelamento dos planos dos beneficiários.

O regime é uma medida especial de acompanhamento da ANS diante de problemas considerados graves relacionados à assistência.

Nesse processo, um Diretor Técnico acompanha as ações da operadora e pode determinar ou recomendar medidas para tentar restabelecer a regularidade da assistência aos beneficiários.

Portanto, neste momento, o corretor precisa evitar dois extremos: minimizar a situação ou gerar pânico no cliente.

O corretor não deve simplesmente orientar o cliente a cancelar o plano
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes.

Ao receber a notícia, alguns beneficiários podem querer cancelar imediatamente o contrato e contratar outro plano.

Mas uma decisão precipitada pode gerar problemas.

Dependendo da situação contratual do cliente, uma nova contratação pode envolver novas carências, análise das regras de ingresso, diferenças de rede, acomodação, abrangência, preço e cobertura.

Cancelar primeiro para procurar outro plano depois pode deixar o cliente desprotegido.

Por isso, a orientação deve ser individualizada.

Antes de qualquer mudança, o corretor deve analisar as possibilidades disponíveis para aquele beneficiário.

A portabilidade especial ainda não foi determinada
Também é preciso diferenciar Direção Técnica de portabilidade especial de carências.

Até o momento, a medida publicada em relação à Select é de Direção Técnica.

Isso, por si só, não significa que todos os beneficiários receberam autorização automática para realizar portabilidade especial.

A portabilidade especial normalmente é determinada pela ANS quando uma operadora entra em processo de saída do mercado, cancelamento de registro ou liquidação, mediante ato específico da Agência.

Portanto, o corretor não deve informar ao cliente que “a ANS liberou todo mundo para sair sem carência” se não existir uma determinação específica nesse sentido.

Mas o cliente pode analisar a portabilidade normal
Isso não impede que beneficiários que já preencham os requisitos avaliem a portabilidade normal de carências.

A portabilidade permite mudar de plano sem cumprir novamente determinadas carências, desde que sejam observadas as regras estabelecidas pela ANS.

Entre os requisitos gerais estão contrato ativo, mensalidades em dia e cumprimento dos períodos mínimos de permanência, além das demais condições aplicáveis a cada situação.

Por isso, uma boa medida para o corretor neste momento é mapear sua carteira.

Separe seus clientes Select
Identifique quem possui:

tratamentos contínuos;

cirurgias programadas;

gestantes;

tratamentos oncológicos;

terapias;

internações;

exames de alta complexidade agendados;

idosos;

crianças com acompanhamento contínuo;

clientes que dependem de hospitais ou médicos específicos.

Esses beneficiários merecem acompanhamento prioritário.

Confira a rede antes do cliente precisar utilizar
Não espere o cliente chegar ao hospital para descobrir que existe alguma dificuldade.

O corretor pode orientar seus clientes a conferir antecipadamente os hospitais, laboratórios, clínicas e médicos utilizados habitualmente.

Se houver indicação de descredenciamento ou recusa de atendimento, peça que o cliente guarde:

prints;

e-mails;

mensagens;

protocolos;

nome do estabelecimento;

data e horário do contato;

nome do atendente, quando disponível.

Documentação pode fazer muita diferença caso seja necessário acionar a operadora ou a ANS.

Problema no atendimento? Primeiro registre protocolo na operadora
Se houver negativa, dificuldade de autorização, problema de rede ou outro impedimento assistencial, a primeira orientação deve ser procurar a própria operadora e registrar um protocolo de atendimento.

Não aceite somente uma resposta verbal.

O protocolo é importante porque, caso o problema não seja solucionado, poderá ser utilizado para registrar reclamação junto à ANS.

A própria Agência orienta o beneficiário a procurar inicialmente a operadora e, se não houver solução, registrar a reclamação na ANS.

A reclamação pode gerar uma Notificação de Intermediação Preliminar, a NIP.

Nas demandas relacionadas à assistência, como consultas, exames, terapias, cirurgias e internações, a operadora possui prazo específico dentro do procedimento da NIP para analisar a reclamação.

O corretor pode ajudar — mas não deve falar em nome da operadora

Este momento também reforça uma questão importante sobre o papel profissional do corretor.

Você pode:

orientar;

acompanhar;

auxiliar na abertura de protocolos;

ajudar o cliente a organizar documentos;

analisar alternativas de mercado;

avaliar possibilidade de portabilidade;

acompanhar mudanças de rede;

e manter o beneficiário informado.

Mas o corretor deve evitar afirmar coisas que somente a operadora ou a ANS podem garantir.

Evite frases como:

“Pode ficar tranquilo que não vai acontecer nada.”

“A Select vai fechar.”

“Todo mundo vai poder fazer portabilidade.”

“Seu atendimento está garantido.”

“Cancela que depois a gente resolve.”

Nenhuma dessas decisões deve ser tomada com base apenas em rumores.

Organize agora a documentação dos seus clientes

Outra ação preventiva importante é recomendar aos clientes que mantenham organizados:

  • carteira do plano;

  • contrato ou proposta de adesão;

  • boletos pagos;

  • comprovantes das últimas mensalidades;

  • relatório de permanência no plano;

  • autorizações já emitidas;

  • solicitações médicas;

  • relatórios médicos;

  • exames;

  • protocolos de atendimento.

Para quem pretende estudar uma futura portabilidade, comprovantes de pagamento e documentos que demonstrem o vínculo e o período de permanência são especialmente importantes.

E quem está em tratamento?

Esse é o cliente que merece maior atenção.

O corretor deve evitar qualquer orientação genérica de troca de operadora sem analisar previamente a continuidade daquele tratamento.

Uma pessoa em tratamento oncológico, gestante, internada ou que depende de determinada estrutura assistencial possui uma realidade muito diferente de alguém que praticamente não utiliza o plano.

Plano de saúde não deve ser analisado apenas por preço. Em situações como esta, continuidade assistencial é fundamental.

Os números também ajudam a entender o momento da Select

A situação atual ocorre após um período de expansão muito acelerada da operadora.

Nas demonstrações financeiras de 2025, a Select informou ter passado de 11.221 beneficiários em dezembro de 2024 para 82.695 em dezembro de 2025.

No mesmo exercício, a companhia registrou prejuízo de aproximadamente R$ 22,1 milhões.

Esses números não significam, isoladamente, que uma operadora necessariamente deixará o mercado.

Mas ajudam a contextualizar o momento em que a ANS decidiu intensificar o acompanhamento assistencial.

E os relatos de demissões?

Nos últimos dias também circulam no mercado relatos sobre desligamentos de profissionais ligados à operação da companhia.

Até que exista confirmação oficial sobre dimensão, áreas atingidas e motivos desses desligamentos, é importante tratar o tema como relato de mercado, e não como fato conclusivo sobre uma suposta “demissão em massa”.

Para o corretor, o principal indicador continua sendo aquilo que acontece na ponta: o cliente está conseguindo utilizar o plano?

O momento exige proximidade

Crises ou dificuldades em operadoras mostram algo que o mercado muitas vezes esquece:

o trabalho do corretor não termina quando a proposta é implantada.

É justamente quando aparece um problema que o cliente percebe o valor de ter um profissional acompanhando sua jornada.

Se você comercializou Select, talvez este não seja o momento para mandar uma mensagem alarmista para toda sua carteira.

Mas é um ótimo momento para dizer:

“Estou acompanhando as informações sobre a operadora e, caso você tenha qualquer dificuldade de utilização, autorização ou atendimento, me avise. Vou ajudar você a entender os caminhos disponíveis.”

Essa simples atitude pode fazer muita diferença.

Análise | Lucas Lima – Fala Corretor

O mercado precisa acompanhar a situação da Select com responsabilidade.

Existe uma medida séria da ANS e isso não pode ser ignorado. Ao mesmo tempo, transformar qualquer informação em anúncio de fechamento também não ajuda o corretor nem o beneficiário.

O papel do profissional neste momento é estar próximo.

Revisar sua carteira.

Identificar os clientes mais vulneráveis.

Acompanhar os atendimentos.

Guardar protocolos.

Entender possibilidades de portabilidade.

E, principalmente, não abandonar o cliente justamente quando ele mais precisa de orientação.

O corretor que trabalha relacionamento precisa compreender que pós-venda também é venda.

E situações como essa mostram exatamente por quê.

Crédito Fala corretor

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